
Humanidades Digitais no Brasil: o percurso de uma cultura de visibilidade informacional em crescimento
A informação no século XXI tornou-se visual. Dados seguidos de formas de visualizá-los em aspectos gráficos; hiperdocumentos nos quais escritas, imagens e vídeos se hiperconectam em uma única retórica técnico-informacional e comunicacional. Neste cenário as linguagens literárias ou computacionais cada vez mais são mediadas pelas telas. Telas que, segundo Bernard Stiegler, possuem papel central no cenário cultural e político mundial.
Em uma era marcada por uma espécie de "governamentalidade algorítmica", o recrudescimento de uma cultura visuocentrica impactou em definitivo nossas formas de expressão, comunicação e busca por informação. No caso das humanidades a aproximação com o digital tem integrado cada vez mais a práxis de acadêmicos apesar de ainda não ter se tornado parte de seus currículos.
Nesse aspecto ressaltamos o importante papel de Laboratórios e grupos de pesquisa que se dedicam às Humanidades Digitais nos esforços de desenvolverem iniciativas para a produção de competências computacionais entre os pesquisadores das Humanidades no Brasil. Tais iniciativas não podem ser, contudo, consideradas sem uma visão crítica já que podem atender a um fetichismo pelo digital sem compreender de fato o que são Humanidades Digitais.
Guy Débord, em "A Sociedade do Espetáculo" (2005), diz que: "O que aparece é bom, o que é bom aparece".
À luz de sua afirmação é necessário nos questionarmos qual papel todos esses artefatos e ferramentas desempenham de forma que possibilitem criarmos um novo "espetáculo" de recursos gráficos, nuvens, e redes onde cada vez mais dados são conjugados em uma miríade informacional sem precedentes e onde a comunicação científica se reifica pela forma digital com a qual a tornamos visível.
Também precisamos indagar o quanto o Brasil repleto de atores sociais, grupos e instituições historicamente marcados por invisibilidades pode se beneficiar a partir do uso dessas tecnologias digitais capazes de modificar tanto a perspectiva de objeto, quanto da sua metodologia, ou do produto de pesquisa no extenso campo das Humanidades que passam por mudanças de ordem epistemológicas, discursivas e estruturais disciplinares.
Referências
DÉBORD, Guy. The Society of the Spectacle. London: Rebel Press, 2005.
ROUVROY, Antoinette; BERNS, Thomas. Gouvernementalité algorithmique et perspectives d'émancipation: Le disparate comme condition d'inpiduation par la relation? Réseaux, v. 177, n. 1, p. 163, 2013. Disponível em: <https://www.cairn.info/revue-reseaux-2013-1-page-163.htm>. Acesso em 03 mar 2019.
STIEGLER, Bernard. La télécratie contre la démocratie: lettre ouverte aux représentants politiques. Paris: Flamarion, 2006.
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